Célio Furtado – Engenheiro e professor da Univali celio.furtado@univali.br

Escrevo nessa manhã fria e chuvosa, em pleno outono, ouvindo saxofone jazz (Coleman Hawkins), buscando inspiração para o próximo texto, um hábito semanal que compartilho com alguns possíveis leitores.

Pessoas me indagam sobre a referência a música que faço na introdução de todo artigo. Sempre ouvi muita música, ainda que nos estudos que sempre efetuei na minha vida evitava canções cantadas pois as letras me confundiam e roubavam a atenção nos textos estudados.

  Quando se estuda a atenção tem que ser total, silêncio ou uma musica clássica, suave, ao fundo, fonte de inspiração e não de concorrência de atenção.

 Olhando a minha adolescência, fui um estudioso de todas as disciplinas oferecidas, coisa normal de qualquer estudante, porém as matemáticas me atraiam, ainda que naquele tempo, a concepção dominante era “resolver os problemas apresentados”, ter o instrumental para solucionar as questões, e ser bem sucedido nas provas e averiguações.

Alguns são mais privilegiados em inteligência e sensibilidade e, desde cedo, se apaixonam pelos encantos da matemática.

Porém, não posso ser injusto comigo mesmo, de fato, eu me sentia atraído pelos desafios da matemática e, à medida que ia desenvolvendo minha compreensão dos números, avançava nas disciplinas correlatas: física e química. Algo que não fosse “decoreba”.

Hoje compreendo o caráter pejorativo do termo “decoreba”, aquilo que precisa ser decorado, saber de cor, uma referência injusta e preconceituosa a outras disciplinas.

 Tudo isso, a idade e o cabelo branco superam e vejo que que cresceu em mim uma concepção aberta e humilde a todos os conhecimentos e, repito, continuamente, como Sócrates a frase: “só sei que nada sei”. Porém, nessa caminhada, sempre respeitei o momento do estudo, da leitura e a música aceitável é a que se denominava antigamente de “musica ambiente”.

Por isso sempre apreciei o silencia das bibliotecas e, até hoje, confesso, o espaço ideal é a Biblioteca da Univali, um ambiente extremamente propício ao crescimento intelectual.

Nos tempos de estudante de Engenharia, na Universidade Federal do Rio de Janeiro, década de 70, eu frequentava diversas bibliotecas e o meu modesto universo era o mundo do cálculo.

  E no meu minúsculo quarto, no Alojamento dos Estudantes, na Ilha do Fundão, estudava muito, com muito papel de rascunho ao lado (folhas das antigas impressoras dos computadores primitivos), ouvia musica sim, sempre os clássicos da Radio MEC, ou o jazz da Radio Jornal do Brasil.

Foi com muita alegria que me deparei com o surgimento dos primeiros rádios FM (Frequência Modulada) e, aos poucos, fui abandonando os rádios AM ( Amplitude Modulada) e, definitivamente as OC ( Ondas Curtas). 

Aliás, recordo aos leitores que nas OC, ondas curtas, eu ouvia as rádios estrangeiras, um mundo fascinante, principalmente no campo da informação e opinião.

]Gostava da BBC de Londres e, principalmente, a Rádio de Moscou, edição em espanhol. Encontrava com facilidade no dial do meu aparelho de radio e, sentia-me bem informado, pois, lembro, vivíamos na Ditadura Militar, censura rigorosa aos meios de comunicação.

É bom estudar, ouvindo música.

Célio Furtado, nascido em 1955/ Professor da Univali/ Formado em Engenharia de Produção na Universidade Federal do Rio de Janeiro/ Mestre Engenharia de Produção/ Coppe/Ufrj/trabalhou no Sebrae Santa Catarina e Rio de Janeiro. Consultor de Empresa/ Comunicador da Rádio Conceição FM 105.9/ celio.furtado@univali.br

NR: Os artigos assinados são de inteira responsabilidade de seus autores

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