Célio Furtado – Engenheiro e professor da Univali celio.furtado@univali.br

Escrevo nessa noite calma e fria, na tranquilidade de minha casa, ouvindo música clássica (Chopin), pensamento otimista e muito grato pelo dom da vida, da lucidez e da saúde.

Tenho escrito alguns artigos direcionados para análise de conjuntura, ou seja, a minha percepção do mundo circundante, baseado em leituras, noticiários, comentários e, principalmente, das ideias que brotam da minha cabeça.

A música clássica, piano, oferece amplas possibilidades de pensar, de se tentar o próprio silêncio interior, preferir a paz pessoal e individual, porém, sem nunca fechar os olhos ao que se denomina o mundo da vida.

Quando se lê que, oficialmente, temos 33 milhões de famintos e “barrados no baile”, brasileiros, miseráveis, sem renda e sem perspectivas, não se pode fechar os olhos, tal como a avestruz que enterra a cabeça na areia, tentando se esconder do seu predador.

  Estudei e me formei em uma conceituada Universidade Federal (Rio de Janeiro), gratuita, comi na bandejão (preço irrisório), morei no Alojamento dos Estudantes, gratuito também, de modo que sou um privilegiado, e, sempre tive comigo mesmo a consciência de devolver os recursos investidos em mim para o que se denomina bem comum, ou numa linguagem mais dramática, ao “sofrido povo brasileiro”.

 Lembro também que o Mestrado e o Doutorado (inconcluso), também foram gratuitos, o acesso ao imenso conhecimento disponível nas bibliotecas que frequentei, também sem nenhum custo.

Claro que gastei com livros, roupas e tanta coisa que temos que gastar, é o mínimo, pois sempre fui um homem simples e sem ostentação alguma, como se diz, com a simplicidade de um franciscano.

Penso que cumpri o meu dever, devolvi bastante, ajudei muitos jovens a crescerem e a desenvolverem uma consciência nacional mais firme, compreendendo os enormes desafios coletivos que sempre estão diante, pois a “vida é um combate”, permanente.

Porém, o débito ao povo brasileiro é permanente, como trabalhador intelectual tenho clareza de minhas responsabilidades, ajudar na formação e na disseminação de informação, dentro de uma perspectiva otimista quanto a factibilidade de uma solução para a miséria.

Tenho escrito e exposto a minha visão desenvolvimentista, acreditando piamente em uma “arrancada nacional”, pois temos uma grande população e recursos naturais invejáveis.

 Precisamos de um comando competente, honesto e carismático que tenha a credibilidade popular, alguém que una o povo brasileiro e o comande nessa grande caminhada contra a miséria, a exclusão social, e que possamos brilhar no conjunto das nações.

Nunca fui candidato a nada, tenho consciência das minhas limitações e do meu perfil de bastidores e assessoramento.

Certamente, teria inibição em subir um palanque e pedir votos, tem muita gente mais preparada e habilitada para isso.

Porém, sempre acreditei na organização, da necessidade da busca de uma unidade na luta, uma visão mais cientifica e planejada, sem perder a compreensão das alianças, da flexibilidade e da complexidade da realidade nacional.

Há um combate cultural permanente a ser efetuado, resgatando a história, acentuando e corrigindo erros antigos, compreender o caráter da luta em plena pós-modernidade, diante de um inimigo poderoso.

Célio Furtado, nascido em 1955/ Professor da Univali/ Formado em Engenharia de Produção na Universidade Federal do Rio de Janeiro/ Mestre Engenharia de Produção/ Coppe/Ufrj/trabalhou no Sebrae Santa Catarina e Rio de Janeiro. Consultor de Empresa/ Comunicador da Rádio Conceição FM 105.9/ celio.furtado@univali.br

NR: Os artigos assinados são de inteira responsabilidade de seus autores

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